terça-feira, abril 11, 2017

Negritude


Em alguns territórios africanos a administração colonialista proíbe a exibição de películas onde o homem branco apareça em nível ou papel inferior ao do homem negro. Assim simples documentários de encontros de boxe, onde o louro e branco é derrotado pelo seu adversário negro, são interditos. A indústria de televisão foi proibida na África do Sul por tornar possível uma «intimidade» exagerada e incontrolável entre brancos e negros, podendo aqueles entrar em casa destes e podendo os últimos «possuir» e «desfrutar», ainda que apenas espiritualmente, as mulheres brancas que o pequeno écran lhes levaria a casa.
Alfredo Margarido, “Negritude e Humanismo” (1964)

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Povo de São Vicente, Cabo Verde

No presente o povo de S. Vicente é sem dúvida o mais livre de Cabo Verde, liberdade que lhe advém do total despojamento que se pode surpreender nas novelas de Aurélio Gonçalves, o escritor que mais atentamente procurou entrar na alma de uma gente que vive o desencanto com mais alegria que fatalismo. Marx que poderia ter estado a pensar nesta cidade quando escreveu acerca dos proletários que nada têm a perder e um mundo inteiro a ganhar, com a diferença de que este povo sabe que não tem mais nada a ganhar para além do que consegue para o seu passadio diário. Mas é isso mesmo que faz dele um povo de anarquistas, impossível de ser contido à volta de um qualquer ideal, a menos que o limite desse ideal não ultrapasse o imediato, porque mais inconscientemente que consciente, ele aprendeu à sua custa que o amanhã ou não lhe pertence ou pode ser bem pior que o hoje, e por isso pouco se preocupa com ele.
Germano Almeida, “Viagem Pela História de S. Vicente”


sábado, outubro 22, 2016

Viajar...


Porque é que viaja?
Para encontrar aqueles que ainda sabem viver em paz.
Ella Mailart, “A Via Cruel”

sábado, setembro 17, 2016

América


A maravilha das demolições modernas. É um espectáculo inverso ao de um lançamento de foguetão. O edifício de vinte andares desliza todo na vertical para o centro da terra. Abate-se a direito, como um manequim, sem perder a sua postura vertical, como se descesse para um alçapão, e a sua própria superfície no solo absorve as ruínas. Eis uma arte maravilhosa da modernidade, que iguala a dos fogos-de-artifício da nossa infância.
Jean Baudrillard, “América”

sexta-feira, agosto 26, 2016

O lugar do espectador

Se me permite um parentese, é pena que o lugar do espectador seja hoje tão pouco estimulado socialmente. As escolas e a comunicação social promovem com mais ênfase os talentos, as vocações (mesmo quando não existem), o protagonismo, os banais quinze minutos de fama, quando o papel do espectador — do espectador curioso, informado e exigente — é o elemento fundamental para um meio artístico e cultural vivo e sustentável. Acresce que ser espectador é um privilégio, poder desfrutar da maravilha da criação dos grandes artistas. Sempre que posso, abdico de qualquer outra actividade para ser um feliz espectador...
Rui Ângelo Araújo, entrevista, “Notícias de Aguiar” 24 Ago 2016


sábado, agosto 06, 2016

Escrever

Escrever, ou é um exercício memorial, com flores e paisagens, algo autodidacta, como faziam as damas suecas do século XIX, ou como a avozinha Moisés, uma síntese de boa educação, forma de apagar a personalidade e deixar boa impressão aos netos; ou não é.
Para mim não é. Por isso irrito o meu público e mesmo os leitores de pouca dura que me encontram num artigo ou numa entrevista de jornal.
Francamente – porque pensam que eu escrevo? Para incomodar o maior número possível de pessoas, com o máximo de inteligência. Por narcisismo, que é um facto civilizador.
Agustina Bessa-Luís, “Contemplação Carinhosa da Angústia”


sábado, julho 09, 2016

Procuro o livro. O livro que me falta...


Procuro o livro. O livro que me falta. Sei que existe. Não pergunto ao livreiro se o tem. Quero e tenho de o encontrar sozinho. Não sei o título em nenhuma língua. (…) Quando o encontrar, e sei que um dia isso obviamente acontecerá, construirei sobre ele a minha casa, a minha justiça não só minha, a minha revelação definitiva e talvez circular, e poderei então morrer, as flores secas do tabaco semeadas entre as páginas.
Jorge Listopad, “Quatro Estações e Outono”

quinta-feira, junho 02, 2016

Arte, música e poesia




Na Música, compreendo todas as outras artes: ela «fala», «pinta», «movimenta-se», há cor nela, forma, fala. E, contudo, necessita das outras artes para se exprimir com toda a clareza. Mas nenhuma das outras artes contém Música, excepto a Arte da poesia.
José Vianna da Motta, “Diários”

sexta-feira, maio 20, 2016

... mulheres que professam temor a Deus

Que as mulheres se vistam com roupa decente, com pudor e modéstia, sem tranças, nem ouro, nem pérolas, ou vestidos caros, mas sim como fica bem a mulheres que professam temor a Deus por meio de boas obras. Que a mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. Não admito à mulher que ensine, nem que exerça domínio sobre o homem; mas sim que se mantenha em silêncio. Adão foi o primeiro a ser formado; depois Eva. E Adão não foi enganado, mas foi a mulher que, deixando-se enganar, incorreu na transgressão. Todavia, será salva através da parturição de filhos – contanto que as mulheres permaneçam em fé, amor e santidade, com recato.
Timóteo 2:9:15.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

A arte dos poetas

Na verdade todos os bons poetas que escrevem obras épicas não o são devido a uma arte, antes estão inspirados e possuídos quando compõem todos esses belos poemas; e o mesmo se passa com os bons poetas líricos; estes não se encontram na sua devida razão quando compõem os seus belos poemas (...). Logo que ascendem na sua harmonia e no seu ritmo, ficam transformados e possuídos (...). Pois o poeta é uma coisa leve, alada, sagrada; não pode ele criar poesia antes de sentir inspiração, estar fora de si mesmo e perder o uso da mente (...). Não é, pois, devido à arte que fazem poesia (...) mas por graça divina; assim, a única poesia que cada um é capaz de fazer é da Musa que o possui (...). Estes belos poemas não são humanos, não são criados pelo homem, mas divinos e criados por Deus; e os poetas não são mais do que intérpretes de Deus (...).
Platão, “Sócrates e Íon de Éfeso”

terça-feira, fevereiro 02, 2016

os viajados e os viajantes


Segundo um viajante que conheço, há dois tipos de viandantes: os viajados e os viajantes. Os viajados coleccionam lugares, somam monumentos, vão marcando países com pioneses no mapa da memória. Paris vale pela França, Pequim por toda a China e um safari no Quénia quase a África inteira. O avião é o modo de locomoção preferido: importa é chegar. Quando chega, o viajado confirma com uma fotografia a existência do que conhecera pela fotografia, e dispara sobre a Torre Eiffel, a muralha da China ou os elefantes. Por seu lado, os viajantes é espécie muito distinta: não lhes interessa chegar, mas demorar-se. Demoram a partir. E muitas vezes demoram a chegar. Andam a pé, de bicicleta, quando muito. Os viajantes deambulam. Não vão ver se as coisas estão no sítio. Interessa-lhes o que está fora do sítio.
Maria Luísa Malato, “As Artes Entre As Letras” n.º 163

domingo, janeiro 31, 2016

estados primordiais

E já se vai construindo uma teoria que explica a nossa perpétua solidão: se nos mantivermos sem companheiro entre os que nos disseram ser nossos semelhantes, é porque não encontramos nenhuma criatura espontânea. Ninguém que saiba dar-nos ocasião a estados primordiais, e a abafarmos com eles a nossa existência para uma magia ao mesmo tempo magnífica e brutal.
René Crevel, “O Meu Corpo e Eu”

domingo, janeiro 24, 2016

Madame Bovary, c’est moi

Que sensação deliciosa é escrever, não estar concentrado em si, mas circular por toda a criação de que falamos. Hoje, por exemplo, senti-me homem e mulher juntos, amante e amada sucessivamente, passeei a cavalo por uma floresta, numa tarde de outono, sobre um tapete de folhas amarelas. E eu era os cavalos, as folhas, o vento, as palavras que eles trocavam, e o sol vermelho que os fazia cerrar levemente as pálpebras sob o peso do amor.
carta de Flaubert a Louise, 23 de dezembro de 1853


domingo, janeiro 17, 2016

Douro: arquitectura maison style ou suburbana...


Por vezes precisamos de um forasteiro para reconhecer o valor das nossas coisas. Eu não precisava de um forasteiro para valorizar a paisagem, mas precisava de um que me conseguisse fazer ignorar a fealdade da arquitectura maison style ou suburbana dominante nas terrinhas do Douro. O Nik nem via o mau gosto das construções e das ruas, de olhar preso no rio, nas encostas, nos socalcos, e certamente um pouco cego pela intensa luz solar.
Rui Ângelo Araújo, “A Origem do Ódio – Crónica de um Retiro Sentimental”

quarta-feira, dezembro 30, 2015

TV & Maio de 68

Julho de 2001 – Na TV, há pouco, assisti a uma evocação de Maio de 68: o trânsito parado em Paris e uma multidão por entre discursos, por entre abraços e policias de “casse tête” no ar. Condenava-se a poluição, a americanização do mundo, o consumismo. Encerrado o documentário, não é que a TV, pressurosa e ignóbil, vem fazer a publicidade dos automóveis, dos detergentes e das mil e uma coisas supérfluas com que se enganam os inocentes – isto de imediato e com o maior despudor.
Fernando Aires, “Era Uma Vez o Tempo – Diário VI” (fragmentos)


domingo, outubro 25, 2015

Etnografia y Folklore de Galicia


Non te cases cun ferreiro
que tem moito que lavar,
cásate c-un mariñeiro
que ven lavado do mar.
Fermín Bouza Brey, “Etnografía y Folklore de Galicia”

terça-feira, outubro 20, 2015

Sou do paradoxo

Já dizia o Agostinho da Silva: não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total.
Manuel Monteiro, “O Falcão Albanês”


sábado, agosto 29, 2015

Prémio Animal Cavaco Silva


Em Portugal, os homens do mar estão em vias de extinção, ou quase. Os dados referentes aos últimos 20 anos são esclarecedores. O número de pescadores nacionais caiu de 30 mil em 1995 para menos de 19 mil e para cerca de 16.700 em 2013. Em contraciclo com o crescimento das frotas europeias e mundiais nas últimas cinco décadas, a frota de navios de comércio de bandeira portuguesa e com registo convencional português, controlados por armadores nacionais decresceu de 94 navios em 1980 para 58, em 1990; 28, em 2000; 17, em 2005; 13, em 2010; por fim, 10, em 2015.
Filipa Melo, “Os Últimos Marinheiros”, Ler – Livros e Leitores” n.º 138, Verão 2015

segunda-feira, agosto 24, 2015

Fala da Rainha para Bento Banha Cardoso


Fala da Rainha para Bento Banha Cardoso

Antes do mais sou fêmea, capitão
e vós sabeis
que uma mulher dispõe
de outros recursos.
Para vosso desfavor
eu sou mulher
e rei
cabo de guerra
e negra.
Respondo pela voz da fêmea:
- aspiro a ver-vos rendido.
respondo pela voz do povo:
- o povo quer-vos vencido.
Pela voz das tropas respondo:
- apraz-nos ver-vos em fuga.
Respondo pela voz da raça:
- a raça quer-vos humilde.
A guerra é sem quartel
capitão-mor
e se eu morrer sem ver-vos
de abalada
hei-de parir quem cumpra
essa alegria.

(1974)

Ruy Duarte de Carvalho, “Lavra – Poesia Reunida 1970 / 2000”

segunda-feira, agosto 10, 2015

o Porto é...

- Diga menina, disse o empregado dirigindo-se a ela.
Este doce hábito de tratar as pessoas, tão típico do Porto, em que o termo “menina”, vai dos cinco aos noventa e cinco anos.
Armando Sena, “Colheita de Incertezas”


quarta-feira, agosto 05, 2015

fonte de todos os tormentos


«Encham os homens de informações inofensivas, incombustíveis, que eles se sintam a rebentar de “factos”, informados acerca de tudo. Em seguida, eles imaginarão que pensam e terão o sentimento do movimento, enquanto realmente apenas se arrastam. Serão felizes porque os conhecimentos deste género são imutáveis. Não os levem para terrenos escorregadios como a filosofia ou a sociologia, em que tenham de confrontar a sua experiência. É a fonte de todos os tormentos.» 
Ray Bradbury, in Fahrenheit 451 (1953)

segunda-feira, agosto 03, 2015

da escrita: a caneta que mente!

Às vezes a caneta começa a falar por nós e afasta-se da justeza dos nossos sentimentos, como se soubesse mais do que nós ou tirasse prazer de os modificar: sem verdadeiramente nos trair, mente onde queríamos ser sinceros.
José Dias de Souza, “A Sétima Letra”

domingo, junho 21, 2015

Um passo maior que a perna


Reprodução é coisa que não existe. Quando duas pessoas decidem ter um bebé, elas empenham-se num ato de produção, e o uso generalizado da palavra reprodução para esta atividade, com a implicação de que duas pessoas mais não fazem senão entrançar as suas características, é quando muito um eufemismo para consolar os potenciais progenitores, antes de eles decidirem dar um passo maior que a perna.
Andrew Solomon, “Far From The Tree” 

domingo, abril 19, 2015

extremamente dificeis os retratos das creanças, e dos passaros; e impossiveis os das dançarinas e dos doidos

«- Tende a bondade de vos sentar: não haveis de chegar a impacientar-vos. Muito bem, a vossa nuca inteiramente descansada n’este círculo de metal; essa perna sobre a outra, o braço estribado na banca; d’este modo podereis conservar-vos immovel por um terço de minuto, mas immover com a mais perfeita immobilidade. Sem isso correrieis grande perigo de voa aparecerdes com quatro ou seis olhos, duas ou tres bocas, um rosto e meio, ou um nariz mais comprido que todo o corpo, é o que torna extremamente dificeis os retratos das creanças, e dos passaros; e impossiveis os das dançarinas e dos doidos» António Feliciano de Castilho (1800-1875)
Paulo Artur Ribeiro Baptista, “A Casa Biel e as suas edições fotográficas no Portugal de Oitocentos”

domingo, março 29, 2015

Otimista

Millôr, você se considera um otimista?
(Pausa) É uma pergunta difícil. Olha, eu acho... Eu dou como ilustração da vida o seguinte: o cara que salta do centésimo andar e ao passar pelo oitavo ele diz: “Até aqui tudo bem”. A vida é isso...
Millôr Fernandes, “A Entrevista”

sexta-feira, dezembro 26, 2014

meninos-língua, Brasil

Desde o Descobrimento, Portugal mandava uma legião de órfãos para o Brasil, garantindo-lhes a alimentação; em troca, eram mediadores junto de crianças nativas, «aprendiam a língua indígena e serviam de intérpretes para os jesuítas e oficiais da coroa». Chamavam-lhes meninos-língua.
Clarisse Fukelman, Colóquio Letras, número 180, Maio / Agosto 2012

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Liberdade essencial

´
Somos livres porque Deus nos abandonou, e há que viver e construir as nossas vidas a partir dessa liberdade essencial.
António Ramos Rosa, “Prosas Seguidas de Diálogos”

domingo, dezembro 07, 2014

Cresci a beijar livros e pão



Cresci a beijar livros e pão.
Lá em casa, sempre que alguém derrubava um livro, ou deixava cair um chapati ou uma «fatia», a palavra que usávamos para um triângulo de pão fermentado com manteiga, o objecto caído tinha não só de ser apanhado mas também beijado, num mea culpa pelo desastre e me sinal de respeito. Eu era tão descuidado e mãos-de-manteiga como qualquer criança e, portanto, nos meus anos de infância, beijei grande número de fatias e tive também a minha conta de livros.
Nos lares devotos da Índia, as pessoas tinham por hábito – e ainda têm – beijar os livros sagrados. Mas nós beijávamos tudo. Beijávamos dicionários e atlas. Beijávamos livros da Enid Blyton e banda-desenhada do Super-Homem. Se algum dia tivesse deixado cair a lista telefónica, provavelmente também a teria beijado.
Tudo isto aconteceu antes mesmo de ter beijado uma rapariga. Aliás, até seria quase verdade, ou em todo o caso suficientemente verdadeiro para um escritor de ficção, dizer que, mal comecei a beijar raparigas, as minhas actividades relativas a pão e livros perderam alguma da excitação que lhes era própria. Mas uma pessoa nunca esquece os seus primeiros amores.
Salman Rushdie, “Mas Já Nada É Sagrado?”, Granta Portugal n.º 2

terça-feira, dezembro 02, 2014

Ver a morte de olhos abertos



Deixei-me guiar pelo meu instinto criativo. Quis entrar pela morte dentro de olhos bem abertos, ver tudo. Vivi qualquer coisa semelhante quando estive na Guerra Colonial. Um dia fomos acudir a uma emboscada e sabíamos que era habitual haver outra emboscada para a coluna de socorro. Demorámos mais de uma hora a lá chegar e pelo caminho iniciei uma contagem decrescente interior para a morte. Pensava: a minha emboscada pode chegar na próxima curva, no outeiro seguinte, ao fundo da estrada. E questionava-me como é que iria morrer. Foi um exercício penoso. Lembro-me de ter concluído que podia morrer mas que não queria que os tiros me acertassem nos olhos. Queria ver a morte de olhos abertos. A emboscada não aconteceu mas a vontade continua.
João de Melo, em entrevista a Luís Ricardo Duarte, JL n.º 1150

quinta-feira, agosto 21, 2014

Catolicismo vermelho

Quanto a mim, odeio e com belo ódios esses povos acalvinados. Lutero é a sombra desse século. O catolicismo era vermelho; o protestantismo é pior por ser incolor, é neutro e anda na História vestido de droguete cinzento como uma farroupilha. Suprimiu os vitrais das igrejas, não é preciso dizer mais nada, e subiu até ao queixo a blusa das mulheres; isto aboliu os seios das santas e tudo o que punha flores nos olhos... Os vitrais flamejantes das rainhas com veste de pedrarias, e da nudez dos arcanjos, era um pouco de céu vivo nas ogivas. O colo nu das mulheres a sair para fora das blusas era um pouco de amor, e portanto um pouco mais de paraíso na parda monotonia dos dias.
Jean Lorrain, “O Senhor de Bougrelon”